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A IMORTALIDADE
Hoje, no contato dialógico entre mim e o texto, na tessitura da escrita diária de um trabalho acadêmico, que requer reflexão e muito sangue, peguei-me pensando na imortalidade.
Cada texto é único, tem assinatura do seu autor, tem vida, tem voz, tem alma. Pelos menos é o que dizem os poetas, os escritores e os amantes das letras. Mas nós jornalistas, o que pensamos da produção da escrita? Penso que, na maioria das vezes, somos céticos. Fazemos o uso das palavras apenas com mero jogo de técnicas por meio de uma invenção chamada de “Lead”. Ao responder as perguntas dessa técnica jornalísticas: o quê? Quem? Como?, Quando?, Onde?, Por quê?, temos a impressão da tarefa cumprida, sem falar que um texto jornalístico morre e nasce diariamente, no limiar de um novo dia. Talvez a nossa concepção de imortalidade seja efêmera, sem nexo ou até sem vida. Mas ao me deparar com o texto de Rubem Alves, chego a uma conclusão: prefiro ser um um efêmero mortal do que um eterno imortal, dado a viver sem vida, mas a ter vida em morte!
SAÚDE MENTAL [Rubem Alves]
"Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se. Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se".
Escrito por MANOEL PEREIRA às 12h44
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TARDE DO VINIL
Tarde de sábado agradabilíssima no apartamento de Marco e Elian. Da sacada da varanda do terceiro andar descortinava a paisagem de uma Natal ainda sem muito concreto, sem muito cinza, mas com clima de nostalgia. Naquele dia copilamos os nossos mais esquecidos, empoeirados e amados vinis, resgatados do fundo do baú das nossas vidas. Cada faixa executada representava uma fração de vidas, das reminiscências de outrora. Mais uma vez é provado que a música é vida, e vidas são canções que nunca cessam. Canções que mudam de ritmo, conforme mudamos de momento. Ora são mais intensas, firmes, ritmadas, alegres. Ora são lentas, compassadas, melancólicas, tristes. Música e vida, binômio que interage e configura o nosso ser. Uma vida sem melodia é uma vida silenciosa, tênue e monótona. Cantemos e encantemos sempre.
Escrito por MANOEL PEREIRA às 20h42
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